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O gesto de Dona Carolina Em fevereiro de 1891, Dona Carolina Augusta dos Santos Malheiros Vasconcellos assinou seu testamento. Nascida em Mogi Mirim, era viúva de um fazendeiro enriquecido. No testamento, deixou 30 contos de réis — uma quantia considerável na época — para a criação de uma Santa Casa de Misericórdia em São João da Boa Vista. Ela não viveria para ver a inauguração. Morreu antes. Com a doação de Dona Carolina, a ideia de uma santa casa passou do campo dos desejos para o campo das possibilidades. Os estatutos foram aprovados em Assembleia realizada na Igreja Matriz em 3 de abril de 1897, dando constituição legal à Irmandade de Misericórdia de São João da Boa Vista. A instituição foi registrada em cartório como Irmandade de Misericórdia de São João da Boa Vista em 7 de setembro de 1900. A inauguração e os primeiros anos A Santa Casa foi inaugurada solenemente em 6 de agosto de 1899 — oito anos depois da doação de Dona Carolina. Os primeiros anos foram difíceis, como costumam ser os inícios de instituições hospitalares: falta de médicos, falta de enfermeiros, falta de recursos. Em 1916, a instituição começou a receber apoio das Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus — que organizaram a enfermagem e a administração cotidiana do hospital. A Santa Casa de São João foi crescendo ao longo do século XX para além de seus muros originais. Atende pacientes de toda a microrregião — o que significa que São João da Boa Vista funciona como polo de saúde para municípios menores do entorno. Em 2024, ao completar 125 anos, a instituição informou que 85% dos pacientes eram atendidos via Sistema Único de Saúde e que contava com 550 colaboradores atendendo mais de 20 cidades. Agosto de 1899. O sino da Igreja Matriz dobrou na manhã da inauguração. As autoridades foram a pé até o novo prédio da Santa Casa. Havia flores nas janelas. A irmandade estava de roupa dominical. O médico que faria o primeiro atendimento estava nervoso — nunca havia trabalhado num hospital que ele mesmo ajudara a criar. Lá dentro, numa cama branca, aguardava o primeiro paciente. A história do hospital começa aqui: com alguém que precisava de cuidado, e com uma cidade que decidiu, coletivamente, oferecê-lo. A rede de assistência A Santa Casa não é a única instituição de cuidado da cidade. Há asilos, creches, entidades religiosas, campanhas de saúde, clubes de serviço e políticas públicas municipais. A Unidade de Saúde do Jardim das Flores, a UPA, os postos de saúde espalhados pelos bairros — cada um tem sua história de criação, de ampliação, de crise e de superação. A pesquisa completa do livro precisa de um mapa da saúde pública de São João: onde atende, quando foi criado, quantas pessoas serve. Fontes: Santa Casa SJBV (site e histórico); Revista Atua (2022, 125 anos); Fala São João (2022, 550 colaboradores); Mulheres de São João. | O que ainda falta: Relatórios anuais da Santa Casa do século XX; lista de médicos fundadores e diretores; história das epidemias atendidas (febre amarela, gripe espanhola, poliomielite, Covid-19); história das Irmãs Apóstolas em São João; fotografia do prédio original de 1899.