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A Igreja do Rosário está ligada à memória religiosa e social da população negra de São João da Boa Vista. As igrejas dedicadas a Nossa Senhora do Rosário eram, no Brasil colonial e imperial, os templos das Irmandades do Rosário — associações religiosas que reuniam pessoas negras livres, libertas e escravizadas em torno de uma devoção comum. Essas irmandades eram também espaços de solidariedade, de arrecadação para compra de alforrias e de resistência cultural.
O bairro do Rosário em São João da Boa Vista — próximo ao que hoje é a área da Estação das Artes — tem o nome diretamente ligado a essa presença. Durante o período escravista, o Rosário funcionou como área de moradia e de vida comunitária para a população negra que não estava nas fazendas. Era o lugar onde as famílias se encontravam, onde as irmandades se organizavam, onde os laços de comunidade eram mantidos à margem do espaço oficial da cidade.
Após a abolição em 1888, a população negra que chegava à cidade para trabalhar na ferrovia, nas fazendas e nos serviços domésticos foi se estabelecendo no bairro São Lázaro. O coronel Cristiano Osório de Oliveira doou terras no São Lázaro a famílias de ex-escravizados — gesto que revela tanto a iniciativa individual quanto a estrutura que tornava necessário um "lugar para os negros" separado do centro.
A história completa da Igreja do Rosário de São João — quando foi construída, quem a administrava, que famílias a frequentavam, quando a Irmandade esteve ativa — ainda precisa de pesquisa nos arquivos paroquiais e no Arquivo Público Matildes Salomão.