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A história de São João da Boa Vista começa antes do nome da cidade. Começa em um território ligado a Mogi Mirim, ao sul de Minas, aos caminhos rurais, às fazendas, aos cursos d'água e às primeiras formas de ocupação. A paisagem não era apenas cenário. No interior paulista, um rio, um córrego, uma serra ou uma estrada antiga podia decidir onde as pessoas paravam, plantavam, erguiam uma capela e começavam uma vizinhança.
O município atual tem 516,399 quilômetros quadrados e população recenseada de 92.535 pessoas em 2022, segundo o Censo do IBGE — dado mais preciso que os arredondamentos que circulam em algumas publicações. Esses números pertencem à cidade contemporânea, mas ajudam a perceber o caminho percorrido: de área rural e povoado de capela a cidade de porte regional, com escolas, universidades, hospitais, indústria, comércio, cultura e vida pública organizada.
Antes das primeiras famílias, a área era parte de uma sesmaria pertencente ao secretário de governo de São Paulo. Como não houve posse efetiva — sem medição, sem demarcação —, a terra ficou por muito tempo abandonada e começou a ser ocupada por posseiros vindos de Minas Gerais e de regiões vizinhas. Toda essa região pertencia, administrativamente, a Mogi Mirim.
Os nomes que aparecem nos relatos mais antigos são concretos: Campo Triste, Ribeirão dos Porcos, Rio Jaguari, Córrego São João e Fazenda São João dos Pinheiros. Campo Triste, por exemplo, já estava ocupado desde 1798 por José Dutra, que ali vivia com sua esposa Teresa Joaquina de Jesus, três filhos e dois escravizados, plantando milho e feijão e criando gado. Antes da lei, havia água. Antes da Câmara, havia caminho. Antes do Theatro, havia roça, engenho, capela e circulação de famílias.
O nome "Boa Vista" tem uma origem precisa. A Serra da Mantiqueira, que emoldura a paisagem da cidade até hoje, era chamada nos documentos antigos e nos relatos dos viajantes de Serra da Boa Vista. O povoado que se formava à beira do Córrego São João e do Rio Jaguari era conhecido inicialmente como São João do Jaguari. Só em 1832, quando o padre João José Vieira Ramalho obteve a provisão do Bispo de São Paulo para que a capela fosse curada, ela recebeu oficialmente o nome São João da Boa Vista — unindo o orago João Batista à identidade visual da serra.
São João sempre teve uma relação forte entre centro urbano e área rural. Essa relação aparece mais tarde na feira livre, na EAPIC, na Serra da Paulista, nos bairros rurais e no movimento de produtos e pessoas entre fazenda e cidade. A edição final deste capítulo deve trazer mapas: um mapa da formação regional, um mapa do centro histórico e um mapa dos bairros e áreas rurais.
Fontes: IBGE (Censo 2022, dado exato 92.535); Prefeitura Municipal (Comissão do Arquivo Histórico Municipal); ASBRAP Revista nº 16. Estado: bem documentado em linhas gerais; precisa de mapas históricos e cartas de sesmaria.