Leitura
Em 1836, o padre Joaquim Feliciano de Amorim Sigar foi nomeado para a capela de São João Batista com uma missão específica: organizar o espaço que estava crescendo ao redor do templo. Foi ele quem demarcou as primeiras ruas, distribuiu os primeiros lotes e estabeleceu o traçado inicial do que seria o centro urbano de São João da Boa Vista.
Antes de Amorim Sigar, o padre João Ramalho havia construído a capela em 1831 e obtido o reconhecimento eclesiástico em 1832 — mas o espaço ao redor ainda era informal. As casas haviam se construído sem plano. Os caminhos eram trilhas. Amorim Sigar chegou para transformar esse acúmulo orgânico em cidade: riscar linhas no chão, nomear ruas, definir o que era público e o que era privado.
Dois anos depois, em 28 de fevereiro de 1838, São João da Boa Vista foi elevada à categoria de freguesia. A elevação só fez sentido porque havia um núcleo organizado para reconhecer. O trabalho de Amorim Sigar foi o que tornou a freguesia possível.
A urbanização trouxe descontentamento. Os moradores que haviam construído suas casas próximas à primeira capela — a de Santo Antônio, de Antônio Machado, na confluência das ruas Aristides Lobo e General Carneiro — ficaram à margem do novo eixo que Ramalho e Sigar estavam desenhando. Essa tensão entre o núcleo antigo e o núcleo novo reapareceu em 1848, quando os planos para a Igreja Matriz foram apresentados e os moradores da região norte protestaram.