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1932 — Revolução Constitucionalista

Episódio de mobilização cívica, fronteira, voluntários, imprensa e memória de Maria Sguassábia.

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Episódio de mobilização cívica, fronteira, voluntários, imprensa e memória de Maria Sguassábia.

Em julho de 1932, São Paulo entrou em guerra contra o governo federal de Getúlio Vargas. A Revolução Constitucionalista — como os paulistas a chamaram — foi a maior guerra civil do Brasil no século XX. O estado queria uma constituição, eleições livres e o fim do poder central imposto pela Revolução de 1930. São João da Boa Vista estava no caminho — e foi palco de combates, sacrifícios e histórias que ficaram na memória local por gerações.

Os primeiros confrontos da região ocorreram no bairro da Cascata, nas proximidades de São João da Boa Vista. A cidade havia crescido sob o signo do café e da ferrovia, e seus homens jovens foram para as trincheiras com a mesma determinação que os fazendeiros tinham levado ao campo. O Grupo Escolar Cel. Joaquim José, no centro da cidade, virou Quartel-General durante o conflito. Onde as crianças aprendiam a ler, soldados planejavam estratégias militares.

Maria Sguassábia: a professora que virou soldado

Maria Stela Rosa Sguassábia nasceu em 12 de março de 1889, em Araraquara. Era professora de escola primária rural na Fazenda Paulicéia, no município de São João da Boa Vista, quando a revolução explodiu em julho de 1932. Não hesitou.

Sguassábia se infiltrou nas tropas revolucionárias disfarçada de soldado, usando o uniforme do irmão. Adotou o nome de guerra "Mário Sguassábia". Foi incorporada à 4ª companhia do batalhão da milícia civil — sem que a maioria dos colegas soubesse que havia uma mulher entre eles. Em combate, destacou-se pela bravura. Rendeu sozinha o tenente ditatorial João Batista Silveira. Por esse feito, foi promovida a cabo. Depois, a sargento.

A derrota da Revolução, em outubro de 1932, custou-lhe caro. O tenente Silveira, humilhado pela rendição, fez questão de se vingar: influenciou sua demissão do cargo de professora. Sguassábia foi exonerada e teve que se tornar costureira para sobreviver. Só anos depois, com o interventor Armando de Sales Oliveira no governo de São Paulo, conseguiu retomar a vida pública — como inspetora de alunos no Instituto de Educação Christiano Osório de Oliveira, em São João da Boa Vista.

Viveu até 14 de março de 1973, quando morreu em São João da Boa Vista, três dias depois de completar 84 anos. Em data recente, a Prefeitura realizou o traslado de seus restos mortais para o Mausoléu da Revolução Constitucionalista de 1932, no Cemitério Municipal São João Batista. Ali, entre os heróis de 1932, repousa a mulher que lutou como Mário para que ninguém soubesse que era Maria.

Julho de 1932. Uma mulher de 43 anos veste o uniforme do irmão, calça botas que não eram para o seu pé, e entra na fila da milícia civil. Ninguém pergunta. Ninguém desconfia. Chama-se Mário agora. Mais tarde, quando rendeu o tenente com a própria arma dele, ninguém ainda sabia que Mário era Maria. Só depois da guerra — quando a perseguição veio — o nome verdadeiro voltou. E com ele, a demissão.

Além de Maria Sguassábia, outras mulheres de São João da Boa Vista participaram da Revolução de 1932 como voluntárias, principalmente como enfermeiras e no apoio aos combatentes. Olímpia de Oliveira Andrade foi uma dessas mulheres: participou ativamente na assistência aos feridos e, anos depois, tornou-se diretora do Museu Histórico e Pedagógico Dr. Armando Salles de Oliveira. A história das mulheres na Revolução de 1932 em São João ainda precisa de pesquisa sistemática — muitas contribuições foram apagadas pelo relato masculino do conflito.

Fontes: Viajantes na História (Maria Sguassábia); O Município (2024, perfil Maria Sguassábia); Fala São João (traslado dos restos mortais); Prefeitura Municipal (Quartel-General no Cel. Joaquim José); Revista Atua (sanjoanenses de convicção). | Ainda falta: Documentos militares de Maria Sguassábia; lista completa dos combatentes sanjoanenses na Revolução; fotografias do período; história das mulheres voluntárias; mapa dos combates na região da Cascata.

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Revolucao de 1932, guerras e memoria civica

Fontes e notas

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Material base do acervo

A Revolução de 1932 em São João da Boa Vista

O contexto nacional