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O Município

O jornal O Município como memória impressa desde 1906 e fonte para pesquisa pública sobre São João.

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O jornal O Município como memória impressa desde 1906 e fonte para pesquisa pública sobre São João.

Em 3 de março de 1906, foi publicada a primeira edição do jornal O Município. Carlos Lühmann — descendente de imigrantes alemães, tipógrafo, homem de letras — estava entre os fundadores. O jornal nunca parou. Em 2026, ao completar 120 anos de publicação ininterrupta, O Município é um dos jornais mais antigos em atividade no interior paulista.

Antes d'O Município, havia a Gazeta de São João — cujas edições do início do século XX estão disponíveis no Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) para os anos de 1901 a 1905. Havia também outros periódicos mencionados em catálogos: o Cidade de São João e o Prelúdio, este último provavelmente ligado à vida literária local. Cada um desses jornais é uma janela para uma época: os anúncios mostram o comércio, as colunas sociais mostram os clubes, os editoriais mostram a política.

A imprensa local não é apenas uma fonte de notícias. É uma fonte de linguagem. O modo como o jornal chama um evento — "solenidade", "festejo", "inauguração" —, a forma como descreve um personagem, as seções que tem e as que não tem — tudo isso revela a cidade que aquele jornal servia e a cidade que ele ajudava a construir.

Maria Leonor Alvarez Silva foi editora d'O Município nas décadas em que a versão de 1821 como data de fundação se difundiu. Isso não é coincidência: o jornal era o megafone da versão que ela defendia, e a versão entrou no senso comum local em parte porque o jornal a repetia. Esse episódio mostra que a imprensa local não apenas registra a história — ela também a constrói.

A pesquisa completa do livro deve usar os jornais como fontes primárias. Não apenas para citar datas, mas para transcrever trechos: um anúncio do Cine Ouro Branco, uma nota sobre um baile no Centro Recreativo, uma coluna sobre a chegada de uma companhia de teatro ao Theatro Municipal, uma reportagem sobre a EAPIC. A Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional é o ponto de partida para a busca de periódicos.

Fontes: O Município (histórico e edições); Revista Atua (jan. 2025, sobre O Município e Carlos Lühmann); APESP (Gazeta de São João); Mulheres de São João.

A vida política de São João da Boa Vista não começou com a Câmara. Começou com a capela, com a Assembleia Paroquial, com as disputas por terras e por posição social entre as famílias que chegaram nas décadas de 1820 e 1830. A política institucional veio depois, mas não apagou as tensões que já estavam lá.

A elevação a freguesia em 28 de fevereiro de 1838 foi o primeiro passo formal. Em 1859, São João foi elevada a vila, ainda subordinada a Mogi Mirim. A primeira eleição municipal ocorreu em 3 de julho de 1859. Em 7 de novembro de 1859, a Câmara reuniu-se pela primeira vez, numa casa alugada na Rua São João — onde hoje funciona o Senac.

O mais votado na eleição de julho de 1859 foi José Tavares Coimbra — e, conforme a Constituição do Império, o mais votado assumia a presidência. Os demais eleitos foram: Capitão Luiz Antônio de Oliveira, Capitão Joaquim José de Oliveira, Capitão José Garcia de Oliveira Filho, Capitão Higino Ignácio Brandão, Alferes José Antônio Barbosa e Joaquim Gonçalves Valim. Luiz Antônio de Oliveira não assumiu por ser irmão de Joaquim José, que havia recebido mais votos. Em seu lugar, tomou posse Cândido Pires Sabino Goulardins. As patentes militares — capitão, alferes — eram comuns entre os vereadores. A Guarda Nacional estruturava a hierarquia local.

A Câmara de São João da Boa Vista possui um acervo de atas que começa em 1859 e continua até hoje. Esses livros são um dos documentos mais importantes para a história local — e um dos menos explorados pela pesquisa histórica. Numa ata de 1860 pode estar o registro da primeira discussão sobre a criação de uma escola. Numa de 1880, a discussão sobre o traçado de uma rua que existe até hoje. Numa de 1886, a decisão sobre o recebimento do imperador na inauguração da ferrovia.

A Câmara publicou em 2009, no contexto dos seus 150 anos, uma pesquisa histórica do professor João Baptista Scanapiecco intitulada Fragmentos de uma história a ser contada. Esse material é o ponto de partida, não o ponto de chegada, para a história política da cidade.

A emancipação de 1880 e seus desdobramentos

Em 24 de abril de 1880, São João da Boa Vista foi elevada à categoria de município, emancipando-se de Mogi Mirim. Na época, o município incluía as vilas de Aguaí, Águas da Prata e Vargem Grande do Sul, que se emanciparam ao longo das décadas seguintes. Em 1887, o prédio da Câmara e Cadeia foi inaugurado. O projeto era do engenheiro militar Euclides da Cunha — o mesmo que anos depois escreveria Os Sertões. O prédio, de fachada em alvenaria de tijolos sem argamassa de revestimento, com pilastras jônicas e dóricas, abrigava no térreo a cadeia e no andar superior a Câmara. Foi reformado em 1905, 1924 e novamente em 1999–2000, quando passou a abrigar o Senac.

Fontes: Câmara Municipal (histórico institucional, Scanapiecco 2009); Prefeitura Municipal; Mulheres de São João (Câmara e Cadeia/Senac); IBGE.

Tema
Imprensa e comunicacao local

Fontes e notas

Fontes externas citadas para sustentar datas, nomes, lugares e interpretações desta página.

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O Município — Acervo Digital

Base para explicar o projeto de digitalização e tratar o jornal como fonte estrutural da memória local.

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Material base do acervo

Imprensa: O Município, Gazeta de São João e outros jornais

A cidade que se leu

Material base do acervo

Da freguesia à cidade política: Câmara, vila e município

Datas que mudam o status