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Em 1887, São João da Boa Vista inaugurou o prédio que abrigaria a Câmara Municipal e a Cadeia. O projeto era de Euclides da Cunha — o mesmo que, anos mais tarde, escreveria Os Sertões (1902) e se tornaria um dos maiores escritores da literatura brasileira. Na época, era engenheiro militar em início de carreira.
O prédio ficava estrategicamente no meio da principal via da cidade — a Rua São João —, que ligava a Estação Ferroviária à Igreja Matriz. A fachada em alvenaria de tijolos aparentes, sem argamassa de revestimento, e as pilastras sobrepostas nos estilos jônico e dórico destacavam o edifício no ambiente de construções em madeira e taipa. No pavimento térreo ficavam a cadeia, a sala do delegado e as celas. No andar superior, a Câmara Municipal, que se reunia uma vez por mês.
A mesma planta de São João da Boa Vista serviu como modelo para construção de prédios públicos em outros municípios do Estado de São Paulo — o que dá ao projeto uma dimensão regional.
O edifício passou por reformas em 1905, 1924 e 1999–2000. Em 1924, o projeto adotado foi do engenheiro-arquiteto Tito Travassos, que remodelou as fachadas em estilo eclético com elementos art nouveau e instalou um terraço sobre colunas coríntias que servia de palanque. O Paço Municipal funcionou ali até 1942. Depois virou departamentos municipais e, na reforma de 1999–2000, passou a abrigar o Senac.