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Guilherme e Nicolau Rehder vieram da Holstein, região do norte da Alemanha. Chegaram ao Brasil no contexto da expansão ferroviária do interior paulista e tornaram-se os empreiteiros responsáveis pela construção do Ramal de Caldas da Companhia Mogiana — o trecho que ligaria São João da Boa Vista a Poços de Caldas passando por Cascavel e Águas da Prata.
Em 1877, os irmãos Rehder contrataram os primeiros imigrantes para dois propósitos simultâneos: trabalhar na Fazenda Barreiro, que pertencia a eles, e construir o ramal ferroviário. Vieram alemães, suecos, dinamarqueses e austríacos. A concessão para a construção havia sido dada pelo Decreto nº 8.888 de 17 de fevereiro de 1883, e os estudos de traçado foram iniciados em 5 de abril do mesmo ano, terminando em 12 de junho. A execução foi sub-empreitada aos engenheiros Brodowsky e Paula Souza. O terreno entre Águas da Prata e a Cascata era o mais acidentado e oneroso de toda a linha Mogiana.
Nicolau Rehder deixou marcas físicas na cidade além da ferrovia. Em 1890, construiu o sobrado que viria a se tornar o Palácio Episcopal — reformado em 1910 para servir de residência e casa bancária do fazendeiro Cristiano Osório de Oliveira, e transformado em sede do Bispado em 1960. O mesmo Nicolau Rehder aparece no Almanaque do Estado de São Paulo de 1890 como oleiro — fabricante de tijolos e telhas — ativo em São João da Boa Vista.
A família Rehder criou raízes profundas. Reinaldo Rehder Benedetti — descendente — foi um dos nove membros da comissão de 2020 que estabeleceu 1824 como data oficial de fundação do município.