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A história da ferrovia em São João da Boa Vista começa oito anos antes do trem chegar à cidade. Em 27 de agosto de 1875, a Companhia Mogiana inaugurou o primeiro trecho de Campinas a Mogi Mirim. Em 1º de janeiro de 1878, abriu o trecho de Mogi Mirim a Casa Branca. Naquele mesmo ano — 14 de janeiro de 1878 —, a Mogiana abriu uma estação em terras do município de São João, chamada Estação de Caldas, para atender quem ia a Poços de Caldas. O local se tornou comercializado, com casas de negócio e escolas. Mas ficava longe do núcleo urbano.
Para ligar o centro da cidade à linha principal, era preciso construir o Ramal de Caldas. A concessão foi dada em 1883, os estudos terminaram em junho do mesmo ano e a construção foi entregue a Nicolau Rehder, que sub-empreitou os engenheiros Brodowsky e Paula Souza. O ramal atravessava o terreno mais acidentado de toda a Mogiana — as encostas entre Águas da Prata e a Cascata. Custou mais, demorou mais e exigiu a força de imigrantes que trabalhavam em condições duras.
Em 22 de outubro de 1886, o Imperador D. Pedro II chegou a Campinas de trem especial da Companhia Paulista e embarcou no trem inaugural da Mogiana rumo ao Ramal de Caldas. No dia 24, almoçou em São João da Boa Vista. A cidade estava enfeitada. A banda tocou no Largo da Estação. As crianças foram dispensadas das aulas. Era o maior evento que São João havia recebido até então — e significava: o isolamento acabou.
Com a ferrovia vieram velocidade e variedade. Jornais de São Paulo chegavam em horas. Máquinas de café chegavam em semanas, não em meses. Artistas passavam por São João a caminho de Poços de Caldas e paravam para se apresentar no Theatro Municipal. A cidade que tinha 3.000 habitantes no núcleo urbano em 1889 começava a sentir que o mundo era maior do que o vale do Jaguari.