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Em 1829, cinco anos depois da primeira missa que marcou a fundação de São João da Boa Vista, a Fazenda São João dos Pinheiros já era uma unidade produtiva em pleno funcionamento. O padre João José Vieira Ramalho, seu proprietário, havia chegado ao Brasil em 1800 e comprado as terras próximas ao Ribeirão dos Porcos em 1823. Em seis anos, a fazenda tinha engenho de açúcar e aguardente — e entre 49 e 54 pessoas escravizadas trabalhando nela.
O engenho de açúcar e de aguardente era a espinha dorsal da economia rural do interior paulista antes do café. Produzia dois produtos com demanda certa: o açúcar para consumo e comércio local, e a aguardente — a cachaça — para o comércio regional. Com um engenho funcionando, Ramalho podia vender, trocar e acumular capital para financiar seus outros projetos: a capela, a urbanização, a doação de lotes.
O dado dos escravizados é central para entender o período. A cidade que estava nascendo dependia desse trabalho forçado para existir. Os 49 a 54 nomes que aparecem no censo de 1829 como "escravizados da Fazenda São João dos Pinheiros" são parte constitutiva da história de São João da Boa Vista — e precisam ser buscados nos inventários e registros paroquiais da época.