Texto-fonte · Texto curto
A escravidão precisa ser tratada como tópico próprio. Não pode aparecer apenas como detalhe dentro da história das fazendas. Dois escravizados aparecem em Campo Triste em 1798. Cinquenta e quatro aparecem na Fazenda São João dos Pinheiros em 1829. Esses dados mostram que a formação de São João passou pelo trabalho forçado — e que a cidade tem uma dívida de pesquisa e de memória com essas pessoas.
O desafio é encontrar nomes. Quem eram essas pessoas? Em que lavouras trabalhavam? Foram batizadas em quais igrejas? Casaram? Tiveram filhos? Foram alforriadas? Aparecem em inventários, testamentos, processos, óbitos, anúncios de jornal ou registros paroquiais? A história local só avança quando deixa de falar de "escravos" em bloco e passa a recuperar trajetórias individuais, sempre que o documento permitir.
Depois da abolição, a presença negra também precisa ser pesquisada. O pós-abolição costuma ser uma das partes menos registradas da história municipal. É necessário buscar trabalhadores urbanos, lavadeiras, músicos, sambistas, pedreiros, ferroviários, praticantes de religiões afro-brasileiras, moradores de bairros populares e participantes de festas, clubes e escolas de samba. Este é um dos capítulos com maior potencial de qualificar o livro — e de mostrar São João como uma cidade brasileira real, com desigualdades, apagamentos e permanências.
Fontes: Prefeitura Municipal (dados de 1798 e 1829); registros paroquiais, inventários e processos judiciais a consultar. Estado: confirmado como tema; muito dependente de pesquisa documental específica.