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Perfil biográfico · Cultura

Fernando Furlanetto, artes plásticas e cemitério

O escultor do cemitério

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O escultor do cemitério

Fernando Furlanetto nasceu em São João da Boa Vista em 1897 e morreu em 1975. Foi escultor, ceramista e artista plástico — mas seu legado mais visível não está em galeria nenhuma. Está no Cemitério São João Batista, onde mais de trezentos túmulos, jazigos e capelas guardam um acervo de arte funerária que poucos cemitérios do interior paulista podem igualar.

As obras de Furlanetto no cemitério são anjos, Pietàs, bustos, relevos e figuras alegóricas — feitas em pedra, cimento e bronze, encomendadas por famílias que queriam enterrar seus mortos com dignidade e arte. O cemitério-museu a céu aberto, com suas ruas arborizadas e o muro original preservado, foi o projeto de uma vida inteira.

Em 1997, no centenário do artista, uma lei municipal criou a Semana de Arte Fernando Furlanetto — com seminários, mesas-redondas, conferências, exposições e atividades artísticas. Esse ato transformou a memória de Furlanetto em política cultural pública: não apenas uma lembrança familiar, mas um compromisso da cidade com sua própria produção artística.

Num sábado de manhã, um visitante caminha pelo Cemitério São João Batista sem saber bem o que esperar. Entra pela portaria, segue pela alameda principal. E então para. No jazigo dos Oliveira, um anjo de pedra ergue os braços para o céu com uma expressão que não é de dor — é de espanto. Como se a morte, afinal, tivesse sido uma surpresa até para quem a esperava. O visitante fica parado na frente da obra por um longo tempo. Depois anota o nome: Furlanetto, 1934.

As artes plásticas além de Furlanetto

A história das artes plásticas em São João da Boa Vista não começa nem termina em Furlanetto. A cidade teve pintores, fotógrafos, professores de arte, salões escolares e exposições. A pesquisa completa precisa mapear artistas por geração, buscar acervos particulares e identificar os locais onde as artes se encontravam com o público — escolas, clubes, igrejas, galerias. Furlanetto é o eixo, mas a cidade visual é mais ampla.

Fontes: Prefeitura Municipal (Furlanetto, Semana de Arte); Mulheres de São João (cemitério); Revista Atua (cemitério); SAPL (lei da Semana Fernando Furlanetto). | O que ainda falta: Inventário fotográfico completo das obras de Furlanetto no cemitério; identificação das famílias encomendantes; fontes primárias sobre formação artística de Furlanetto; outros artistas plásticos de São João do século XX.