Texto-fonte · Texto curto
Dona Tita e o museu de um século
O Museu Histórico e Pedagógico Dr. Armando Salles de Oliveira foi fundado em 24 de junho de 1970. Sua origem é uma história de afeto e coleção: o prédio onde funciona foi construído pelo coronel Joaquim José de Oliveira Filho (1830–1903) como residência urbana. Sua filha, Maria Inês da Silva Oliveira — conhecida como Dona Tita (1887–1969) —, herdou o imóvel e durante décadas o preencheu com objetos trazidos de viagens à Europa, à Ásia e pelo Brasil: porcelanas, cristais, roupas típicas, leques, moedas, souvenirs. Ao morrer, Dona Tita deixou o prédio mobiliado e sua coleção para a cidade.
Dona Tita era filha do coronel Joaquim José de Oliveira e de Dona Anna Gabriela da Silva — a mesma Dona Gabriela que dá nome à banda municipal. Essa rede familiar é um fio que atravessa vários capítulos do livro: os Oliveira foram fazendeiros, políticos, artistas e colecionadores. A cidade foi também construída por eles.
O Arquivo Público e Matildes Salomão
O Arquivo Público e Histórico Matildes Rezende Lopes Salomão foi fundado em janeiro de 2000 e recebeu o nome de Matildes em 2003. Funciona no Centro Cultural Patrícia Rehder Galvão. Matildes Salomão foi uma pesquisadora que se dedicou a buscar documentos, inventários, testamentos e registros sobre a história da cidade. Seu nome batizando o arquivo é um reconhecimento de que a história não se faz sozinha — depende de quem a rastreia, organiza e preserva.
O arquivo guarda documentos que são fontes primárias para este livro: registros da Câmara, fotografias antigas, correspondências, inventários, documentos de origem escolar, materiais sobre o Theatro, sobre clubes, sobre personalidades. A pesquisa completa precisa de uma visita sistemática ao acervo — não apenas para confirmar dados, mas para encontrar o que ainda não foi contado.
Patrimônio tombado e patrimônio em risco
São João da Boa Vista tem bens tombados pelo CONDEPHAAT e pelo CONDEPHIC municipal. O Theatro Municipal, tombado em 1987, é o caso mais conhecido. O Cemitério, com seu acervo de arte funerária, merece tombamento. A Igreja Matriz, o Palácio Episcopal, o Colégio Cel. Joaquim José, o prédio do Senac (antiga Câmara e Cadeia), a Estação Ferroviária — cada um desses edifícios tem uma história que precisa ser contada junto com sua história arquitetônica. Patrimônio não é apenas fachada. É memória habitada.
Fontes: Prefeitura Municipal (Museu Histórico, Arquivo Público); Mulheres de São João (Dona Tita, museu); CONDEPHAAT (tombamento do Theatro). | O que ainda falta: Inventário completo do acervo do Museu Histórico; lista de processos de tombamento no CONDEPHIC; história de cada bem tombado; documentos do Arquivo Público sobre os séculos XIX e XX.