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Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, nasceu em São João da Boa Vista em 9 de junho de 1910 e morreu em Santos em 12 de dezembro de 1962. Jornalista, escritora, desenhista, militante política, romancista e figura fundamental do modernismo brasileiro, Pagu viveu à frente de seu tempo. Sua frase “Tenha até pesadelos, se necessário for. Mas sonhe” sintetiza uma vida marcada por inconformismo, coragem e imaginação.
Pagu contestou os valores de sua época não apenas politicamente, mas também como mulher. Sofreu torturas, foi presa diversas vezes e jamais se encaixou nos padrões culturais que esperavam dela obediência, silêncio ou acomodação. Desafiou convenções, viveu buscas, recusou máscaras e marcou sua presença como mulher bonita, inteligente, inquieta, espiritual e intelectualmente livre em um mundo profundamente machista.
Ligada ao Movimento Modernista, envolveu-se com o projeto de renovação cultural que marcou o Brasil a partir da década de 1920. A crise econômica dos anos 1930 e sua relação com Oswald de Andrade a levaram às ruas e à militância. Foi presa durante um comício do Partido Comunista e dos estivadores em Santos, após levantar do chão a cabeça ensanguentada de um trabalhador ferido em confronto com a polícia, morto em seu colo.
Em 1933, publicou “Parque Industrial”, romance modernista, urbano, marxista e feminista, considerado uma obra ousada. O livro retrata a mulher operária de origem italiana no Brás, denuncia a exploração econômica e sexual sofrida pelas trabalhadoras e utiliza linguagem direta, cotidiana, popular. Escandalizou tanto leitores burgueses quanto setores da própria militância comunista. Seus personagens são quase todos mulheres: operárias, costureiras, normalistas, militantes.
Pagu foi a incorporação da ousadia, da polêmica, da crítica e do protesto. Recusou limitar sua vida à rotina. Fez da existência uma forma de revolução cultural. Sua trajetória continua a incomodar, provocar e inspirar porque nela a vida e a obra nunca se separaram completamente.
Pagu é parte incontornável da memória sanjoanense.