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Em 1824, Antônio Manoel de Siqueira — o Antônio Machado — chegou com seus cunhados Inácio Cândido e Francisco Cândido e arranchou na confluência do Córrego São João com o Rio Jaguari. Esse ponto geográfico é o marco zero da tradição de fundação de São João da Boa Vista.
A escolha do local não era aleatória. Confluências de cursos d'água eram pontos estratégicos no interior paulista: havia água fresca dos dois lados, o terreno era fértil pelas cheias periódicas, e a posição facilitava o controle dos caminhos que seguiam ao longo de cada ribeirão. Quem parava numa confluência sabia que estava num ponto de passagem e de permanência.
O Córrego São João deu seu nome ao primeiro assentamento — São João do Jaguari, como o povoado era chamado antes de receber o nome definitivo em 1832. O Rio Jaguari, por sua vez, é o curso d'água que atravessa o território municipal e que aparece nos documentos mais antigos como referência geográfica da região, antes mesmo de qualquer construção humana.
A confluência existe até hoje. Mas a cidade cresceu ao redor e por cima dos cursos d'água — muitos trechos foram canalizados, a paisagem mudou. Localizar e fotografar o ponto onde Antônio Machado chegou em 1824 é um dos trabalhos que o projeto de memória da cidade ainda precisa fazer.