Texto-fonte · Texto curto
A cadeia pública de São João da Boa Vista funcionou no mesmo prédio que a Câmara Municipal por décadas — separadas por um lance de escada. No pavimento térreo ficavam a sala do delegado, a sala dos guardas e três celas. No andar superior, os vereadores legislavam.
Essa convivência entre prisão e parlamento num mesmo edifício não era incomum no Brasil imperial e republicano do interior. A ordem pública e a ordem política ocupavam o mesmo espaço físico, às vezes literalmente. Quem legislava estava acima de quem estava preso — não só metaforicamente, mas arquitetonicamente.
O prédio foi inaugurado em 1887, projetado por Euclides da Cunha. A cadeia funcionou ali até 1917, quando o Fórum e a Cadeia se mudaram para um prédio especialmente construído. Depois disso, o espaço antes ocupado pela prisão foi adaptado para departamentos municipais e, nas reformas seguintes, completamente reintegrado ao uso administrativo e educacional.
A história da cadeia pública de São João da Boa Vista é também a história de quem foi preso ali — trabalhadores, escravizados antes de 1888, suspeitos de crimes, devedores, presos políticos. Esses nomes e histórias estão nos registros judiciais e nos jornais da época.