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O prédio do Senac em São João da Boa Vista é um dos edifícios mais carregados de história no centro da cidade. Inaugurado em 1887, foi projetado pelo engenheiro militar Euclides da Cunha — o mesmo que escreveria Os Sertões quinze anos depois — para abrigar a Câmara Municipal e a Cadeia.
A fachada original em alvenaria de tijolos aparentes, sem argamassa de revestimento, com pilastras sobrepostas nos estilos jônico e dórico, era uma declaração de modernidade num centro construído de madeira e taipa. O projeto de São João serviu de modelo para a construção de prédios públicos em outros municípios paulistas — uma escala que vai além do local.
No pavimento térreo ficavam a cadeia, a sala do delegado e os guardas, e três celas nos fundos. No andar superior, a Câmara Municipal reunia-se uma vez por mês. A localização era estratégica: o meio da Rua São João, o eixo que ligava a Estação Ferroviária à Igreja Matriz.
O prédio passou por reformas em 1905, 1924 e 1999–2000. A reforma de 1924 foi a mais visível: o arquiteto Tito Travassos remodelou as fachadas em estilo eclético com elementos art nouveau e instalou um terraço com colunas coríntias que servia de palanque para presidentes da Câmara e prefeitos. Em 1942, a Prefeitura e a Câmara mudaram para outro prédio. Após décadas como sede de departamentos municipais e estaduais, o edifício foi reformado entre janeiro de 1999 e junho de 2000 e passou a abrigar o Senac.