Memória Viva São João da Boa Vista
A vida cultural de São João da Boa Vista

Ensaio temático · Cultura

Dança, expressão do ritmo

A dança também faz parte da formação cultural de São João da Boa Vista. Embora não haja muitos registros anteriores à década de 1950, foi nessa época que o Conservatório Musical Guiomar Novaes abriu espaço para o ensino da arte.

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A dança também faz parte da formação cultural de São João da Boa Vista. Embora não haja muitos registros anteriores à década de 1950, foi nessa época que o Conservatório Musical Guiomar Novaes abriu espaço para o ensino da arte. A professora Dilima de Lima, vinda de Campinas, ministrou aulas de balé e formou um corpo de dançarinas que se apresentava com desenvoltura, leveza e sucesso.

Nas décadas de 1960 e 1970, o Externato Santo Agostinho, comandado pelas professoras Sarah Salomão e Zezé Lopes, ofereceu aulas de balé, trazendo professores como Renan Aybré, da Academia Odete Motta Raia, de Campinas, e Maria Carmen Teobaldo de Andrade, de São Paulo. As apresentações anuais aconteciam no Centro Recreativo Sanjoanense e formaram uma geração de bailarinas, entre elas Marta Jacinto.

Em 1980, surgiu o Ballet Marinsky, de Zeza Freitas e Ronaldo Marin. O grupo participou de movimentos importantes, como o I Encontro Nacional de Dança, em São Paulo. Em 1982, apresentou “Os Deuses da Terra”, balé em três atos inspirado em “Assim Falou Zaratustra”, de Nietzsche, com música composta pelo sanjoanense João Ciacco Jr. Foi o primeiro balé local a contar uma história completa com características de repertório. Em 1983, montou “Mon Fausto”, baseado em Goethe. O grupo também participou de uma das primeiras edições do Festival de Joinville.

Em 1984, a Prefeitura Municipal implantou o ensino de Dança Moderna e Ginástica Rítmica, sob coordenação da professora Roseli Prado Galdino. No mesmo ano, nasceu o Festival de Ginástica Rítmica e Dança, inicialmente como apresentação interna de alunos. O evento cresceu rapidamente, abriu-se aos grupos da cidade, depois à região e, a partir de 1987, assumiu caráter estadual. Tornou-se referência, trazendo jurados, clínicas e grupos importantes, como Ballet Stagium e Ballet Ismael Guiser.

A cidade também viu nascer academias e grupos importantes. Áurea Maria de Oliveira Fontão Alvarez, a Tu Fontão, fundou a academia Corpo e Forma no início da década de 1980, formando gerações de bailarinas. Fernando Ciacco lecionou dança e montou musicais de grande porte. Silene Michelazzo especializou-se em balé clássico, moderno, expressão corporal e sapateado. Zizi Abdal comandou o Grupo Garra, dedicado à dança contemporânea, jazz e dança de salão. O Studium Joelen de Ballet, instalado em 2000 sob direção de Joana Moreno, conquistou prêmios e títulos em festivais estaduais e nacionais, formando bailarinas reconhecidas.

Marta Jacinto, uma das bailarinas de maior destaque, iniciou seus estudos aos 12 anos, no Externato Santo Agostinho. Estudou em Campinas, recebeu diploma da Royal Academy of London, fez aulas de sapateado, jazz, balé moderno, dança de salão e cursos com nomes como Tatiana Leskova, Carlinhos de Jesus, Ismael Guiser e Ioko Okada. Em 1987, foi aprovada para integrar a companhia de balé Seiryo, do Japão, onde realizou longas temporadas e também estudou novas modalidades de dança.

A capoeira também encontrou espaço em São João. A partir da década de 1970, com o professor José Aparecido “Cidão”, do Vale do Paraíba, a prática começou a se estabelecer. Depois vieram José Alfredo Silva, a Escola de Capoeira Capitães do Mato, a Escola Palmares de Capoeira, o grupo Ilha de Itaparica, o Ginga do Quilombo, o Cruzeiro do Sul e o Grupo Abadá de Capoeira. Hoje, a capoeira sanjoanense participa dos Jogos Regionais e mantém viva uma tradição corporal, musical e cultural de forte raiz brasileira.